Logística é desafio para indústria, diz Schmall

Presidente da VW expressa preocupação com infraestrutura de portos.

Além do aumento do preço do aço, que representa a maior parte dos custos com matéria-prima em um automóvel, o presidente da Volkswagen, Thomas Schmall, considera a logística um ponto a ser desafiado pela indústria. Segundo ele, “a dificuldade logística” pode se tornar um problema, já que as montadoras hoje importam diferentes produtos de diversos países. “Este será um dos maiores desafios do setor”, afirmou hoje, durante palestra no Simpósio Tendências e Inovação da Indústria Automobilística, realizado pela SAE Brasil.

Schmall manifestou preocupação com a infraestrutura de portos e aeroportos no Brasil, que pode provocar gargalos na indústria mantido o “ritmo com que o setor automobilístico está crescendo”. “O governo lançou agora o PAC 2, esses investimentos são realmente necessários”, pontuou.

Ao ser questionado sobre a insatisfação da Volkswagen com alguns de seus fornecedores, expressa recentemente por Garcia Sanz, responsável pela área de compras e pela América do Sul na Volks, Schmall procurou se esquivar. Disse que o assunto está circunscrito à relação da Volks com alguns de seus fornecedores e que a montadora vai “lavar a roupa suja em casa”. “Você já viu algum chefe mundial de compras satisfeito com seus fornecedores? Eu não. Assim como não conheço nenhum consumidor 100% satisfeito com a montadora. É difícil generalizar, mas digo que um dos pilares do nosso sucesso é a nossa relação com fornecedores e concessionários”, afirmou.

Outro tema polêmico levantado no simpósio e que Schmall procurou contemporizar diz respeito ao preço do aço. Ele evitou falar das negociações que estão em curso com as usinas. Disse apenas que a montadora vai elevar para 30%, até o fim deste ano, as importações do insumo. Hoje, a subsidiária brasileira já importa 20% do aço que usa. Em 2009, essa proporção era de 10%.

Durante sua apresentação, o presidente da Volkswagen destacou que sua meta é reduzir ainda mais o tempo de entrega dos veículos aos clientes. Em vez dos 26 dias atuais, a empresa quer repassar seus produtos às concessionárias em, no máximo, 14 dias. Ele não diz, no entanto, quando pretende cumprir esse objetivo, limitando-se a dizer que a façanha virá com melhorias operacionais e investimentos em tecnologia. Vale dizer que, entre a entrada nos pedidos e a distribuição, a Volks já levou, no passado, 42,5 dias.

Indagado se a pressa em entregar os produtos aos clientes foi responsável pelo aumento no número de recall pela indústria, Schmall discordou que haja essa relação. Segundo ele, agora os sistemas são mais modernos e sensíveis, o que facilita a detecção de eventuais problemas. “Os carros têm muito mais qualidade hoje. Ocorre na indústria automobilística o que acontece na medicina: hoje, com a evolução de técnicas e da tecnologia, fica mais fácil descobrir doenças queantes passavam despercebidas”, exemplificou.

Até março de 2011, a Volkswagen quer ampliar a capacidade de sua fábrica de São Bernardo do Campo, para 1.600 carros por dia, contra 1.300 veículos ao dia que a unidade Anchieta pode produzir atualmente. Após sua palestra, Schmall, disse a jornalistas que alguns dos 22 modelos fabricados pela Volks já estão no limite da capacidade instalada, como Gol e Fox. No caso de veículos como o Golf, por exemplo, há uma margem maior de manobra.

Para resolver este problema, além de investir na ampliação da capacidade produtiva da fábrica Anchieta, a empresa vai alocar recursos em tecnologia. A Volkswagen também está contratando. Neste mês, a empresa anunciou a contratação de 312 para esta planta. Os novos colaborares foram chamados para reforçar as áres de armação, pintura e montagem final. “Se você tem planos de crescer de 200 mil a 300 mil carros por ano, como é o nosso caso, é óbvio que precisaremos reforçar nosso time”, destacou, durante entrevista a jornalistas.

Schmall voltou a dizer que espera um mercado para mais de 4 milhões de veículos em 2014, dos quais a Volkswagen do Brasil responderia por 1 milhão. Até lá, em vez da relação de 6,9 carros por brasileiro, o mercado local terá uma proporção de 4,3 automóveis por cidadão. “Mas vamos enfrentar um mercado mais competitivo e agressivo daqui para frente”, observou, citando que hoje, há mais de 30 marcas à disposição dos consumidores, ao passo que, em 1991, eram apenas 11 marcas. Nesse sentido, ele expressou preocupação com o avanço de montadoras da China, da Coreia do Sul e da Índia no mercado brasileiro.

*Fonte: Autmotivebusiness

Um comentário

  1. Espero que esse crescimento de 1300 carros dia para 1600 carros ,vai haver um investimento considerável em novas tecnologias, mão de obra qualificada. espero que essa meta traga vario benefícios de sustentabilidade ao País e a população que sempre teve uma paixão pela marca. inclusive eu

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